Assista o webinário completo pelo canal do Youtube da Abep-UK.

No dia 30/06 às 13h (horário de Brasília) / 17h (BST), realizamos em parceria com o setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Embaixada do Brasil em Londres o evento A Diáspora Científica Brasileira no Reino Unido: experiências e possibilidades. O evento recebeu três convidadas engajadas no tema da diáspora científica brasileira no Reino Unido: Carlota Ramos, Chefe do Setor de C,T&I da Embaixada do Brasil em Londres; Dra. Ana Maria Carneiro, Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas – Unicamp; e Dra. Maria Augusta Arruda, Gerente de Projetos Estratégicos da Universidade de Nottingham (UoN). 

O evento contou com a abertura e celebração dos 40 anos da ABEP-UK com palavras da presidente Bruna Montuori, seguido de uma contribuição do embaixador Fred Arruda. Na sequência, o ex-presidente da Abep-UK Dr. Lucas França introduziu as convidadas que tiveram 10 minutos cada para elaborar mais a fundo o tema da diáspora. As três contribuições trouxeram importantes reflexões a cerca do que entendemos por diáspora acadêmica e científica brasileiras. Ainda pouco debatida, a diáspora traz consigo pontos de atenção para o contexto de crise atual, em particular para pesquisadores e estudantes de pós-graduação que lidam diretamente com as consequências dos cortes de verbas na educação, ciência e tecnologia.

Carlota Ramos trouxe em sua apresentação o processo de mapeamento realizado pelo setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Embaixada do Brasil em Londres em parceria com instituições brasileiras, como a FAPESP e a Unicamp, evidenciando os desafios e pontos de atenção com relação a diáspora.

Carlota Ramos no webinário, 2021.

Em sua fala, Carlota apresenta o papel da embaixada em auxiliar na mobilização da diáspora brasileira no exterior, as parcerias e compromissos com a comunidade científica entre Brasil e Reino Unido, e possibilidades de ação para a embaixada. Com foco na diáspora, abordou as limitações para se conectar com pesquisadores brasileiros, levando em conta suas apreensões em fazer parte do mapeamento da diáspora científica. Com o intuito de ampliar o diálogo sobre o tema e democratizar o assunto a partir do ponto de vista de sua equipe, Carlota apontou as contribuições possíveis para o cenário atual: estabelecer laços de cooperação, intercâmbio de conhecimentos, identificação de oportunidades de colaboração, sinergia e nichos de cooperação de interesse bilateral, e subsídios para elaboração de políticas públicas que possam auxiliar as questões e demandas da comunidade acadêmica brasileira no UK.

Slide de Carlota Ramos para o webinário, 2021.

Na sequência, a Profa. Dra. Ana Maria Carneiro trouxe em sua apresentação as barreiras para adensar a cooperação entre Reino unido e Brasil, principalmente do ponto de vista de entendimento da diáspora. Segundo a professora, ainda faltam informações sobre o tema e há pouca visibilidade, o que afeta na participação e engajamento de brasileiros no exterior em redes formais, tal como a ABEP-UK. Além disso, Ana Maria também mencionou a visão negativa que carrega a diáspora para pesquisadores no Brasil, o que dificulta ainda mais as possibilidades de cooperação e aproximação entre redes. A falta de interação foi apontada como uma questão chave, visto que ainda faltam mecanismos que apoiam e reconhecem a diáspora como um caminho possível de colaboração com o Brasil. A continuidade e dedicação aos vínculos com instituições brasileiras torna-se também uma questão a ser considerada, por ser trabalhosa e lenta. Com efeito, a diáspora não é consultada sobre políticas de internacionalização do Brasil e circulação de informações sobre oportunidades de interação são baixas não alcançando os estudantes, pesquisadores e professores residentes no Brasil. A descontinuidade das políticas públicas brasileiras, instabilidade orçamentária de agências de fomento nacionais, burocracia no sistema de Ensino Superior e as frágeis relações entre o setor acadêmico e empresarial são alguns dos aspectos que prejudicam as interações, o diálogo e a cooperação entre instituições e países.

Ana Maria Carneiro no webinário, 2021.

Ana Carneiro apontou a urgência em se conhecer e democratizar a diáspora, incluindo seus indivíduos, redes e iniciativas de modo que estas ganhem maior visibilidade. De acordo com a sua experiência no tema, mencionou a importância em se dar apoio à integração da diáspora, oferecendo suporte para atividades de networking, tais como eventos, cooperações em áreas específicas, ou por meio da construção de oportunidades para o contato e discussão de projetos comuns. Em suas reflexões, a professora trouxe valiosas reflexões sobre as oportunidades de se abraçar a diáspora como catalisadora nos processos institucionais entre universidades e instituições de Ciência e Tecnologia, seja para contratação de profissionais, avaliação de programas e projetos, corpos editoriais de periódicos e journals, além da formação de sociedades científicas.

Slide de Ana Maria Carneiro para o webinário, 2021.

A terceira e última convidada, Profa. Dra. Maria Augusta Arruda, realizou uma potente fala que trouxe a tona o cenário de precarização dos estudantes e e pesquisadores da pós-graduação. Levando em consideração o medo e tensão presentes no cotidiano de estudantes e pesquisadores diasporados, Maria Augusta trouxe o lado mais subjetivo da diáspora e suas consequências diante do cenário de barreiras explorado por Ana Carneiro.

Maria Augusta Arruda no webinário, 2021.

Em sua fala, apontou para o medo e a vergonha associados à diáspora, ora por conta de acusações de abandono ao país ou por restrições contratuais com agências de fomento que exigem o retorno imediato de pesquisadores ao Brasil. A professora trouxe provocações a fim de se construir uma outra visão sobre o tema de forma que este afete menos a saúde mental e vida pessoal dos pesquisadores.

Como podemos ressignificar a diáspora brasileira e acabar com o medo e a vergonha associada a isso?

Profa. Dra. Maria Augusta Arruda
Slide de Maria Augusta Arruda para o webinário, 2021.

Trazendo exemplos positivos como desenvolvimento das vacinas por pesquisadores brasileiros no exterior e as oportunidades de atuação para aqueles que optam construir suas carreiras no exterior, a professora chamou atenção para a diáspora como uma oportunidade de ampliação de redes e produção de conhecimento. Ao final, trazendo sua própria experiência como diasporada, a palestrante concluiu sua fala com imagens de sua filha Malu Cursino que atualmente é repórter para a BBC Brasil. Sua experiência e desdobramentos na vida pessoal e acadêmica são algumas evidências para repensarmos o que a diáspora significa e como ela pode ser benéfica para o Brasil, especialmente em cenários trágicos como o atual.

Finalmente, após as três apresentações, o evento contou com um Q&A em que diversos assuntos apareceram: oportunidades para pesquisadores no Brasil que desejam imigrar para o UK, questões sobre como apoiar cientistas no exterior que ainda lidam com restrições contratuais com agências de fomento, como a Embaixada e as instituições podem colaborar por meio de eventos e atividades entre países para ampliar esta discussão, entre outros pontos de discussão. A gravação do evento será disponibilizada em breve neste post.

Nós da ABEP-UK temos um compromisso com estudantes e pesquisadores brasileiros no Reino Unido e apoiamos a disseminação do tema da diáspora, bem como a sua desmistificação para que as barreiras de fomento a ciência e as limitações de acesso a oportunidades e colaborações sejam cada vez menores. Apoiamos os diasporados acadêmicos no Reino Unido e nos colocamos à disposição para dar suporte, promover cooperações e ampliar a rede internacional de pesquisadores e suas conexões.

Venha participar da ABEP e tornar esta rede ainda mais potente!